Folhas do tempo poderia ser o nome desse blogg, ou calendário, ou pedaços, ou visões, ou nada. Sim, nenhum nome. O nada engloba o tudo em sua imensidão vazia e desmensuradamente doida. Como doidos são os dias de hoje, ou doídos para muitos. Mas muito mais doidos somos nós que continuamos a caminhada. Prazer em ter uma pessoa tão normal como nós, nesse momento, nesses meus descaminhos...

Mosqueteiros


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Quarta-feira, Março 28, 2007 :::

MUNIÇÃO DA OMISSÃO



SOBE PARA 32 O NÚMERO DE VÍTIMAS DE BALAS PERDIDAS NO RIO



Dados se referem apenas ao mês de março de 2007. Em apenas 27 dias, 32 pessoas foram atingidas por balas perdidas em março, o que significa mais de uma vítima por dia.


Na noite de terça-feira (27) mais duas pessoas foram feridas no Rio.

Moradores da favela do Fumacê estavam na rua, em Realengo, na Zona Oeste, quando foram baleados durante um confronto entre traficantes.

Segundo policiais do 14ª BPM, homens do Grupamento de Ações Táticas (GAT) ocuparam a favela. Os feridos seria Ilton Marques da Silva, de 60 anos, que foi atingido na perna e teve fratura na tíbia, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. Ele estaria em um ponto de ônibus próximo à favela e está internado no hospital Albert Schweitzer e deve passar por cirurgia. Seu quadro é estável.

O outro ferido seria Bruno Reis, de 20 anos e, de acordo com a secretaria, foi atingido de raspão na perna, quando passava em uma rua próxima. Reis foi medicado e liberado. No local, foram encontradas quatro granadas. O Esquadrão Anti-Bombas foi chamado.




BALA QUE FERIU MULHER DE 80 ANOS PARTIU DE PRÉDIO DE CLASSE MÉDIA


A bala que feriu uma mulher de 80 anos, que está internada numa clínica de Botafogo, na Zona Sul do Rio, partiu de um prédio de classe média, segundo o titular da 10ª. DP (Botafogo), delegado Eduardo Joaquim Baptista. Identificada apenas como Dona Elza, a pedido da família, a vítima passa bem e não está em estado terminal, conforme disseram funcionários da clínica pela manhã. Ela teve um ferimento leve no braço e já recebeu um curativo.




PROFESSOR ATINGIDO POR BALA É SETIMA VÍTIMA EM MARÇO


O professor de educação física Vladimir Novaes de Araújo, de 28 anos, foi enterrado, nesta segunda-feira (26), no Cemitério de Inhaúma, no subúrbio do Rio. Vladimir é a sétima vítima fatal de bala perdida no Rio de Janeiro no mês de março.

Ele voltava para casa em uma kombi quando foi atingido por uma bala ao passar pela Avenida dos Democráticos, na altura de Manguinhos, no subúrbio.




MARÇO: 30 FERIDOS POR BALAS PERDIDAS E 7 MORTOS


Até o dia 25 de março de 2007, 30 pessoas já foram vítimas de balas perdidas.

Dessas, sete morreram. Segundo levantamento feito pelo Fantástico, em média, uma pessoa morre atingida por uma bala perdida no Rio a cada dois dias. Os números deste mês de março estão acima da média do ano de 2006.

Na tarde de domingo (11), traficantes da favela do Sapinho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, tentaram roubar uma moto em uma das principais avenidas da cidade. O motoqueiro acelerou para tentar fugir e os assaltantes atiraram. O rapaz foi baleado e os tiros acertaram ainda duas pessoas na rua e três dentro de um ônibus. Entre elas, havia uma criança. Um dos passageiros, um jovem de 27 anos, morreu.

No sábado à noite (10), o mototáxi Jackson Vieira da Silva, de 25 anos, morreu baleado no conjunto de favelas do Alemão em confronto da polícia com traficantes. Ele levava na garupa Adalberto de Moraes Apolinário, de 19 anos, que foi atingido no tórax. Pouco tempo depois, no mesmo lugar, um tiroteio entre policiais e bandidos, fez mais uma vítima inocente. Roni de Brito Teixeira, de 39 anos, atingido por uma bala perdida quando descia do ônibus, foi levado para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, no subúrbio.

Um homem e uma mulher foram baleados em um ponto de ônibus na Avenida Democráticos, próximo à saída 7 da Linha Amarela, no subúrbio do Rio, na noite desta segunda-feira (12). De acordo com a polícia, Ana Maria Rios Cavalheiro Furtado de Mendonça e Sérgio Henrique Oliveira Souza, ambos de 44 anos, foram atingidos após dois automóveis passarem em alta velocidade atirando um contra o outro.

Duas mulheres foram baleadas na manhã desta segunda-feira (12) na favela Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio. Segundo a polícia, Aparecida Gonçalves de Oliveira, de 32 anos, e Cristiane Arcoverde Barbosa, de 19, disseram que foram atingidas acidentalmente quando traficantes limpavam suas armas.

A menina Alana Ezequiel, de 13 anos, foi baleada e morreu durante uma troca de tiros entre bandidos e polícia na segunda-feira (5) no Morro dos Macacos, em Vila Isabel.

Quatro inocentes foram vítimas de bala perdida em operação da polícia no conjunto de favelas do Alemão na terça-feira (6). Os feridos estavam na rua quando foram atingidos por balas ou estilhaços. Uma das feridas é a professora de 40 anos, Matilde Ferreira. Ela foi levada para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, ferida na perna. Cléber José da Silva Martins, de 55 anos, que passava de moto pelo local durante o confronto entre traficantes e policiais, foi atingido na coxa. O gari Eduardo Miranda, de 36 anos, levou um tiro de raspão na coxa. O vendedor Ricardo Érico foi ferido por uma bala perdida na cabeça. Mesmo com o projétil na cabeça, ele não aparentou seqüelas.

Vanessa Calixto dos Santos, de 24 anos, atingida por uma bala perdida na manhã de sexta-feira (9), na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio, morreu na manhão do domingo (11). Ela foi vítima de um confronto entre policiais militares e traficantes.

Uma adolescente de 16 anos foi ferida no pé esquerdo por um tiro durante confronto entre traficantes de grupos rivais, na favela do Fumacê, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, no início da noite da segunda-feira (12). De acordo com policiais do batalhão de Bangu, Bruna Priscila Lima dos Reis, de 16 anos, foi baleada em uma rua próxima a um dos acessos à favela.

Pelo menos cinco jovens ficaram feridos e um morreu em ataque de traficantes ao Colégio Estadual Abraão Jabour, em Senador Camará, Zona Oeste do Rio, na noite de segunda-feira (12). Thiago de Oliveira Paulino morreu.

Uma pessoa morreu e duas ficaram feridas durante em ataque de criminosos no Rio de Janeiro. O crime aconteceu na noite de quinta-feira (15), no Rio Comprido, na Zona Norte do Rio. De acordo com a polícia, Denis Bezerra, de 20 anos, Alex Cunha Marinho, de 21, e um outro rapaz foram baleados na Rua Joaquim Pizzarro.

Sem contar os dez policiais assassinados em somente em março desse ano, junto com outros inocentes em razão de uma política de segurança sem inteligência e inadequada.

Essa é a Cidade Maravilhosa.

Com um governo maravilhosamente ineficaz.

Com um povo maravilhosamente omisso.

É muito cinismo da maioria, querer falar em redução da idade penal ou em pena de morte, coisa que por aqui tem para todos.

Inclusive e principalmente para os que são inocentes.


Você pode até não repassar essa mensagem. Mas vai dormir com sua culpa até ser tarde demais...


Paulo da Vida Athos.



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::: posted by Paulo da Vida Athos at Quarta-feira, Março 28, 2007


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Domingo, Março 04, 2007 :::

MANIFESTO DA LEGALIZAÇÃO*




OITO RAZÕES PORQUE A PROIBIÇÃO DAS DROGAS DEVERIA ACABAR TAMBÉM NO BRASIL.


1. A proibição é de longe a maior causa do crime. Em todo o mundo, os criminosos ganham anualmente uns surpreendentes 1000 bilhões de dólares. Isto é, um sexto da economia mundial. 80 % dos quais resultam do tráfico de droga. 80% dos pequenos crimes resultam da droga.

2. Os prejuízos econômicos causados pela proibição são enormes. Uma enorme parte do dinheiro dos cidadãos é gasta numa política falhada. Os custos da guerra contra a droga nos EUA é de 400 bilhões dólares, o dobro do déficit nacional.

3. A proibição causa prejuízos pessoais e sociais à escala mundial. Doentes e desalojados, prostitutas toxicodependentes, jovens que acabam detidos em cadeias estrangeiras, famílias separadas, o medo de sair à rua de noite, duplas e triplas fechaduras de segurança - e muito, muito mais. Todos são prejudicados com isto - nem que seja por ter de levar o seu auto-rádio quando sai do carro.

4. A proibição não atinge nenhum dos seus efeitos pretendidos. O número de toxicodependentes aumenta e o problema de saúde agrava-se - enquanto a taxa criminal sobe. Quando a "Guerra contra a Droga" começou os lucros dos traficantes subiram de 100 para 500 bilhões de dólares. Anualmente, e desde os últimos 10 anos, o estado de saúde dos heroínomanos degradou-se tanto que muitos comissários de polícia americanos passaram a concordar com o fornecimento de heroína por parte do estado.

5. Os conceitos morais estão-se a degradar devido à proibição. O consumo e a posse de droga coloca os cidadãos numa posição criminosa, o que os leva a rejeitar a moral que a sociedade estabelece. Nós vivemos numa sociedade em que 70 a 80 % de todos os crimes se relacionam com a proibição. Se estamos mesmo interessados em restaurar os conceitos morais, devemos primeiro eliminar as causas de todo este crime.

6. O problema de saúde que a proibição supostamente deveria resolver é insignificante em comparação com outros como o tabagismo e o alcoolismo. O tabaco é a causa de 6 % de todas as mortes. Nos E.U. 400.000 pessoas morrem devido ao tabaco anualmente, 100.000 devido ao álcool, enquanto 5000 morrem devido às drogas (a maior parte heroinómanos). Na Inglaterra os números são, respectivamente, 110.000, 30.000 e 1000.

7. A luta contra o tráfico gera mortes de inocentes: crianças, velhos, adultos, policiais em serviço e fora dele.

8. Vagas serão abertas em fábricas, impostos serão recolhidos e, o mais importante, tiraremos poder econômico dos traficantes e seus fuzis!

Mas ... o que é a legalização ?

Legalização significa que as leis serão feitas de modo a condicionar o modo como as drogas serão utilizadas e comercializadas, tal como as leis que regulam outras substâncias como o álcool e o tabaco, as quais são potencialmente mais perigosas que a maior parte das drogas. Isto não significa que tudo será acessível a toda a gente.

Para controlar o álcool, as drogas e o tabaco, pedimos aos nossos políticos que façam leis racionais e consistentes !




O TRÁFICO


Temos de perceber o problema da droga e da proibição, logo pela primeira falha do sistema, que é o tráfico. O proibicionismo engorda o tráfico e os barões que se alimentam dele. Não serve a sociedade, nem os toxicodependentes. Pelo contrário. A repressão não é o caminho indicado. No Brasil a droga não consegue ser controlada nas prisões, muito menos o será noutro qualquer lugar. E isto é situação comum no resto do mundo.

É urgente debater o assunto com argumentos sérios, com os políticos sem medo de tomar decisões por causa dos votos que lhe caem nos bolsos.

É urgente que a discussão dê lugar a soluções e o problema possa ser explicado ao povo e compreendido pelos professores.

É necessário encontrar soluções para o beco sem saída onde a sociedade vive encurralada.

É recomendada a imediata despenalização de posse e consumo das drogas leves, que aliás no caso de derivados da cannabis, como o haxixe ou erva (maconha), se sabe não existirem mortes por excesso de dose, ou dependência física (decisão apoiada pela Comissão Nacional de Combate à Droga, no relatório entregue ao Governo Português no final de 1998).

De qualquer forma esta droga leve, de efeitos menos desastrosos que o álcool, também deve ser compreendida culturalmente. Nos países árabes, onde o consumo se encontra muito difundido desde tempos remotos, diz a lenda que as propriedades da substância foram divulgadas por dois anjos a uma assembléia de crentes.

O cânhamo (cannabis sativa L.), tem uma história rica, de 10.000 (dez mil) anos a servir a humanidade. Como matéria-prima para fazer tecidos e cordas, velas que levaram as naus aos descobrimentos, papel onde muita sabedoria foi registrada e onde Gutemberg imprimiu o seu primeiro livro, por sinal uma bíblia. As primeiras Levi's eram feitas de cânhamo devido à maior resistência do que o algodão; o líquido utilizado para iluminar muitas casas era óleo de sementes da cannabis.

Um estudo apresentado no final de 1998 pela O.M.S. (Organização Mundial da Saúde), mas não divulgado devido a alegadas pressões políticas, revelou que o consumo de cannabis chega a ser menos prejudicial do que o álcool! Este, em caso de dependência, transmitia um risco maior de acidentes e suicídios, e danos mais graves na saúde, como a cirrose (segundo a revista britânica New Scientist).

A experiência holandesa, de liberalização das drogas leves, em 1975, foi seguida este ano (2001), pela Bélgica, que descriminalizou o consumo e posse privado. O uso médico começa a tornar-se cada vez mais relevante face às últimas descobertas científicas, que apresentam diversas situações em que o consumo controlado de cannabis produz efeitos positivos.

Casos de ajuda no tratamento da AIDS e anorexia (provoca aumento de apetite), no tratamento de esclerose múltipla (alivia a dor e as contrações), ansiedade e stress (tem efeitos ansiolíticos e relaxantes), na quimioterapia - no tratamento em casos de cancro - (evita o vômito e outros efeitos secundários muito chatos).

O PROBLEMA só poderá ser resolvido através da EDUCAÇÃO e da PREVENÇÃO, com esclarecimento adequado e não com histórias do bicho papão. Ou então estaremos condenados a viver na fantasia e a tapar o sol com a peneira. «A vida não é uma droga», mas também não é um mundo cor-de-rosa. Entre o uso e abuso existe o direito de estar informado e de escolher.

A alienação mata - é um suicídio não se acreditar que nosso silêncio diante discusão sobre a legalização da droga não irá nos atingir um dia. Nosso silêncio diante das mortes de nossos jovens, de nossa crianças, de nossos inocentes e de nossos policiais, também vítimas de uma política desumana e desigual, enquanto a mídia oculta a raiz de tudo através de seu poder alienante, está chancelando a barbárie.

Como no caso de mais severidade nas penas de reclusão ou da diminuição da menoridade penal. Essas coisas que sempre aceitamos por parte de nossas políticas públicas de segurança e combate à criminalidade, e que nunca resolveram nada.

Muitos linchariam criminosos. Isso apenas alimentaria o número dos violentos.

Não foi Eliot Ness quem acabou com o gangsterismo nos EUA ao prender Al Capone e sua facção. Não! Existiam outras que continuaram a matança.

Quem acabou com o gangsterismos foi o governo americano ao acabar com a Lei Seca imbecil, que só gerava mortes e corupção e que permitiu à máfia contruir Las Vegas em pleno deserto, legalizando de novo o consumo do álcool.

Façamos o mesmo! Tiremos os fuzis dos traficantes!

Como? Colocando as drogas para serem vendidas ao lado de outras drogas, cigarros, cervejas e cachaças em nossos botequins.

Lute. Não lucramos com a proibição.

Só morremos.

O resto é hipocrisia.


*Inspirado no manifesto português.


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::: posted by Paulo da Vida Athos at Domingo, Março 04, 2007


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Domingo, Fevereiro 25, 2007 :::

NONA CHACINA EM SÃO PAULO EM 2007



Cinco pessoas morrem em chacina em Mauá na manhã de hoje, 25 de fevereiro de 2007.

Vítimas são quatro homens e uma mulher, segundo a polícia.
Corpos foram encontrados em favela na manhã deste domingo (25).



Cinco pessoas morreram na manhã deste domingo (25) em uma chacina na favela Kennedy, em Mauá, no ABC paulista. De acordo com a Polícia Militar, os mortos são uma mulher de 20 anos, três homens entre 25 e 26 anos e um senhor de 62 anos.

Um morador ouviu tiros por volta das 6h e chamou a Guarda Civil do município, que foi até o local. Os guardas encontraram os cinco corpos e acionaram a Polícia Militar.
O primeiro corpo estava em um barraco, onde a polícia encontrou 365 papelotes de cocaína. Um casal foi executado em outra casa. O quarto corpo, que seria do pai do homem morto junto com a mulher, foi localizado em outro barraco, onde também havia caixas de munição.

O último morto estava em uma viela e seria um rapaz de 20 anos, que usava uma toca preta. A polícia acredita que ele seja um dos integrantes do grupo que foi até a favela para realizar as execuções. Os nomes ainda não foram divulgados.


SEGUNDA CHACINA

A chacina é a segunda registrada no fim de semana. Na madrugada de sábado (24), quatro pessoas - duas mulheres e dois homens - foram assassinadas na Rua Itaim, Vila Alabama, na Zona Leste de São Paulo. Segundo a polícia, os dois casais conversavam no local quando foram baleados.

Os tiros vieram de um carro, porém, não há informações sobre a aparência física dos ocupantes do veículo. Entre as vítimas, havia uma mulher de 15 anos que estaria grávida.

Veja em: http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUL7331-5605-6028,00.html

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Então cara-pálida: não vamos fazer nada?

Paulo da Vida Athos.
Poemas e Conflitos

::: posted by Paulo da Vida Athos at Domingo, Fevereiro 25, 2007


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Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007 :::

OS MUROS DE NOSSA DACHAU





por Paulo da Vida Athos*



"Que teríamos feito sem os juristas alemães? Desde 1923, percorri na legalidade e lealdade o longo caminho que conduz ao poder. Coberto juridicamente, eleito pela democracia. Mas o futuro ainda precisava ser realizado. Foi o incorruptível jurista germânico, o honesto, o escrupuloso universitário e cidadão, que terminou minha legalização, fazendo a triagem de minhas idéias. Ele criou uma lei de meu agrado, a ela me apeguei. Suas idéias fundaram minha atividade no direito" (Hitler, in H.J. Syberberg, Hitler, Ein Film ais Deutschland).

Quando se trata de crimes hediondos, nunca me refiro a casos isolados. Quando se trata de Lei, sempre olho com a cautela dos tempos vividos, com os olhos da Humanidade. Leis atinge a todos, como princípio; a Lei Penal atinge aos pobres, como regra.

O caso do Rio, do menino arrastado por assaltantes, ou as quatro chacinas ocorridas em São Paulo somente esse ano de 2007, guardam em si o mesmo desvalor e hediondez. Sendo que as chacinas não são isoladas nem são comentadas mais que um dia, vez que se tornaram banais e parte da sociedade até as apóia. Essa é a única diferença. Não a hediondez, que para mim ambos os casos são hediondos e repulsivos, mas o cinismo social e o papel desempenhado pela mídia.

Sempre falo da regra. Ciência, como se sabe, trabalha com a regra.

Minhas opiniões não são minhas, são de áreas científicas.

O fato de se poder amar ou não, compreender ou não, aceitar ou não, se omitir ou não, pregar pala severidade de penas ou não, isso é opinião pessoal e com elas não trabalho, nem mesmo discuto, se não for no fórum próprio e com pessoas afeitas à área.

Não me refiro em minhas digas em "amor ou compaixão" pelos excluídos. Exijo, isso sim, em cada frase e em cada linha, Justiça Social. Isso e disso apenas posso ser acusado.

Quanto ao amor e compaixão, deixo para os mais iluminados e que não tenham tantos defeitos quanto eu.

Não pego a bandeira do amor e da compaixão para lutar por justiça social ou para defender aqueles que são a clientela pré-escolhida da criminalidade violenta, das chacinas ou do sistema repressivo ou penal.

Como se sabe, não pode haver caminho mais direto para o crime do que a supressão da dignidade e da cidadania. Nossas ruas são salas lotadas de alunos na fase pré-escolar do crime. Que tal matar essa criançada, como pregam alguns, alguns já executam, e grande parte da sociedade em seu cinismo congênito aplaude? Pelo menos adiantaria o serviço sujo e eles não cresceriam e se tornariam mais perigosos, pois não passariam pelos gulags, nossas casas de custódia para menores. Creio que essa é a razão da não reação social e do silêncio cúmplice e antiético da mídia.

Há um silêncio sepulcral diante da chacina de nossos jovens pobres, sejam negros, brancos ou amarelos. Na periferia e nas favelas de nossos grandes centros urbanos um holocausto está em andamento. Temos nosso Dachau sem muros visíveis, mas tão cruel, seletivo e silencioso quanto lá. Não tivemos a nossa "Noite dos Cristais". Na verdade temos uma aurora boreal de chumbo, aonde o dia nunca chega e a noite nunca começa e é nesse espaço de tempo que ocorrem as chacinas nossas de cada dia. Quando se fala alguma coisa é em razão da morte de alguém que não pertence aos nossos guetos, como se a morte brutal de crianças tenha diferença em razão de sua classe social. Por isso crianças são mortas nos confrontos entre a polícia e traficantes nas invasões das favelas do Rio de Janeiro e a mídia nem publica mais. Ou dá uma notinha de roda-pé.

Para mim a hediondez da morte de uma criança da favela não difere da morte daquela que vivia no asfalto. Criança é criança. E a boçalidade é sempre adulta...

Comovente alguns pedirem que a pena mínima saia dos trinta anos e vá para a casa dos sessenta anos no Brasil. Como a idade média foi para a casa dos setenta e o condenado tem sempre mais que dezoito anos, é uma pena de morte que não agride a consciência de alguns. Talvez os mesmos que não têm a consciência atingida com o extermínio dos excluídos, com as crianças abandonadas pelas ruas, essas mesmas crianças para quem amanhã, já adultas, a sociedade estará pedindo pena de morte por enforcamento em praça pública. Aliás, a mesma turma que pede a diminuição da idade para a imputação penal, enquanto saboreiam ostras ou escargots, com um bom vinho francês.

Tomo a bandeira do Direito, da Sociologia, apenas da Ciência me muno e me valho.

Principalmente me conduz nessa marcha: a História.

Para essa luta, não uso em vão o nome de Deus.



*Paulo R. de A. David

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::: posted by Paulo da Vida Athos at Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007


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Sábado, Fevereiro 17, 2007 :::

TEMA DE ESPERAR VOCÊ






por Paulo da Vida Athos*




Você pode tentar me esquecer,
como faz agora,
e em momentos pensará até que conseguiu.


Você pode mergulhar no mundo,
tentando afogar seu amor por mim,
nele, encontrará muitas ilusões, eu sei,
mas sei também que não encontrará sequer
um sonho!

Você pode buscar, no sol
A ilusão de um beijo meu.
Nele, por certo encontrará calor,
eu creio,
mas jamais obterá o meu carinho.

E quando a brisa caminhar,
livre!,
entre os fios de seus cabelos
e imagens
nossas
brincarem em sua mente,
trazendo aquela praia,
e aquela noite,
em que você foi minha,
para não se sentir sozinha
abrace forte a quem tomou o meu lugar
nos braços seus,
mas que não soube me substituir
no coração.

Você pode encontrar
no mar, a imensidão,
mas não encontrará a profundidade,
nem a verdade
que só existe em meu amor.

Você pode encontrar em alguém,
os meus gestos.
Mas em ninguém encontrará
minha ternura.
Pode até encontrar os meus olhos,
mas jamais encontrará,
o meu olhar.

Você pode rasgar minhas cartas,
meus retratos,
no momento em que a mulher,
essa adorável mulher que existe em você,
ceder lugar á criança.

Mas o que não poderá fazer,
mesmo se quiser,
é me apagar
da lembrança.

Você pode entrar em seu carro,
e na velocidade,
na loucura de um momento,
apagar de sua memória
a nossa história.

Você pode correr... viajar...
Você pode fazer tudo pra tentar fugir.

Porém, em algum ponto da terra
haverá uma flor,
uma estrela,
ou uma poesia,
que fará você parar...
e pensar em mim.

E quando nada mais houver
para ser feito,
se meio sem jeito
descobrir que ainda
está me amando,
volte!

Mesmo assim eu lhe quero...
e ainda estarei esperando!




*Paulo R. de A. David


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::: posted by Paulo da Vida Athos at Sábado, Fevereiro 17, 2007


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Domingo, Fevereiro 11, 2007 :::

INSENSATEZ HISTÓRICA





por Paulo da Vida Athos*



Quando em 1976 um grupo de presos condenados pela LSN (Lei de Segurança Nacional), que por pura estupidez administrativa estavam isolados dos outros mil e tantos presos comuns, com contato fugaz apenas com alguns presos políticos condenados pela mesma LSN, em uma galeria apelidada de "Fundão", na Ilha Grande, no Estado do Rio de Janeiro, com intuito de enfraquecer a liderança desses pouco mais de cem homens, a administração penitenciária, então tendo como diretor Augusto Thompson, resolveu misturá-los com a massa.

Essas duas idéias idiotas, a primeira de confiná-los e a segunda de misturá-los após anos de separação, criaram a Falange Vermelha que, hoje, conhecemos como Comando Vermelho, uma das facções criminosas que assola a sociedade carioca e mantêm refém de seus códigos alguns milhões de pessoas que moram em nossos guetos e favelas.

O crime e a criminalidade violenta são frutos do que a ciência social e política faz tempo já deixaram mais que claro para todos com um mínimo de razão: a desigualdade social feroz que gera a injustiça social e uma reação previsível. Sempre. As vezes penso com meus botões qual seria o futuro de dez brasileirinhos carioquíssimos retirados de dez de nossas favelas e educados em algum dos países nórdicos (longe de mim pensar em mandar para países supostamente desenvolvidos mas que guardam em seu bojo as mesmas diferenças). Nunca com meus botões penso em trazer dez finlandeses ou holandeses para distribuir os pobrezinhos pelas favelas do Rio. Isso seria formação de quadrilha, entre meus botões e eu. Seria criminoso.

De 1976 para cá, temos 30 anos. Antes disso, em meados dos anos 80, já víamos as garras do CV apontadas para nossa cara.

Hoje vemos os primeiros passos de algo mais grave e potencialmente imensuravelmente mais nocivo para a sociedade que são as chamadas "milícias".

E, o que são as milícias?

Para quem olha para a face romântica desse monstro, são alguns bravos que resolveram heroicamente expulsar os traficantes das favelas do Rio para, assumindo seu lugar e o do Estado, estabelecer a paz social.

Mas a verdade é outra. Embora alguns especialistas estejam divididos, estamos aceitando no lugar do crime supostamente organizado, uma facção realmente organizada que tem entre seus componentes, policiais civis e militares da ativa, ex policiais expulsos em razão de condenação judiciais (assassinatos, tráfico de entorpecentes, seqüestros, etc.) e, a essas forças, juntar-se-ão aqueles que respondem por crimes do mesmo quilate e que certamente serão expulsos de suas corporações antes de reforçarem o contingente dos milicianos.

Se esse monstro não for abatido agora, em menos de dez anos isso não mais será possível e, assim como em nossos guetos e favelas, todos estaremos a mercê desses criminosos. E quando digo todos, falo em mim, em você, na sociedade e nos Governos e governantes. Com muito menos o ex-policial civil João Arcanjo Ribeiro, conhecido como "Comendador" João Arcanjo Ribeiro, havia tomado o Mato Grosso.

O que a milícia faz, por enquanto, além de matar impunemente, é cobrar as mesmas taxas por cada botijão de gás e por cada ponto de TV a cabo, conhecido como "gato-net". Além disso, criou uma nova taxa, chamada de taxa de proteção, que cada família é obrigada a pagar. Mas não vão parar por aí. Seria muita ingenuidade imaginar que desprezariam a venda de entorpecentes que dá lucros inimagináveis. Falar que não, é ser burro ou louco. Se hoje muitos dos milicianos são ex-policiais expulsos justamente por tráfico, qual a razão para achar que mudarão? Vão ser presos por isso? Presos por quem? Não esqueçam que ele também estarão nas polícias...

Muito bem.

Enquanto isso mais uma tragédia se abatia sobre o Rio com a morte de João Hélio Fernandes. Em ação inominável, criminosos o arrastaram até a morte ao tentarem fugir durante um assalto, e o menino, de apenas seis anos, ficara preso ao cinto de segurança do veículo para desespero de seus familiares e comoção de todos nós.

Claro que como acontece no Brasil, invariavelmente, algumas vozes (dessas, a única que me surpreendeu foi a da CNBB, que logo publicou desmentido) se ergueram para pedir mais pena, penas mais severas, diminuição da menoridade penal e outras medidas do mesmo jaez que sempre foram tomadas por nossos legisladores com o apoio de nossos governantes, mas que nunca apresentaram qualquer resultado positivo. Não apresentaram por uma razão singela: não se combate o crime, não se diminui a criminalidade, com mais pena. Segundo os especialistas, a pena tem como finalidades "confinamento, ordem interna, punição, intimidação particular e geral e regeneração". Na prática, só temos a aplicação do confinamento. Pena é ilusão. Aliás, bem a gosto de nossos legisladores e governantes que criam leis mais severas, iludindo o povão até a próxima tragédia.

E afirmo isso baseado em fatos. Nesse mesmo espaço de tempo, três chacinas ocorreram em São Paulo. Na última, as vítimas foram baleadas na cabeça e no peito. Foram encaminhadas ao pronto-socorro do Hospital de Vila Nova Cachoeirinha, para onde apenas Leandro Siqueira, de 19 anos, seguiu vivo. Morreram: Ewerton Damião Silva de Freitas, de 19 anos, Rafael Jesus da Rocha, de 20 anos, Douglas Ribeiro Francelino, 17 anos, Francisco Itamar Lima da Silva, 17 anos, Antonio Elias Lima da Silva e Robson de Oliveira Novaes, de 16 anos. Nenhuma das vítimas possuía passagem pela polícia, que não sabe informar por enquanto se por trás do crime possa haver algum grupo de extermínio. Curiosamente as três chacinas ocorreram na zona norte paulistana.

O que tem uma coisa com a outra, perguntam alguns. Tudo!

Para mim as mortes de nossas crianças, de nossos jovens e policiais , são inaceitáveis!

Minha alma inaceita esse blá blá blá de mais pena ou de pena de morte, se não temos nem um poder judiciário ainda totalmente confiável e, muito menos, justiça social. Quem serão os clientes dessas novas penas? Claro, como sempre os pobres. Isso é regra e não quero saber de exceção. Onde os colocaremos? Quando voltarem, como voltarão? Quantos serão os injustiçados? Se uma nova Constituição fosse promulgada, e nela constasse a previsão de pena de morte, para mim bastaria um erro judicial, mais nada, para condenar à morte a pena de morte. E vejam, nem precisaria ser de um filho meu...

Já passou da hora de cobrarmos de nossos legisladores e governantes medidas que diminuam a desigualdade social. Pena temos de sobra. Ou será pouco 444 anos de prisão a que foi condenado o traficante e homicida Anderson Gonçalves dos Santos, o Lorde, acusado de comandar o ataque a um ônibus da linha 350 em novembro de 2005?

Portanto, não contem comigo para pedir mais pena ou diminuição da menoridade penal.

Mas contem sempre para lutarmos juntos pela diminuição da desigualdade social.





*Paulo R. de A. David

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::: posted by Paulo da Vida Athos at Domingo, Fevereiro 11, 2007


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Sábado, Fevereiro 10, 2007 :::

EXISTE UM LUGAR





por Paulo da Vida Athos*



Existe um lugar,
onde as auroras cancionam sonhos
nos quais me perco em luz.

Um lugar onde a canção dos rios
faz coro com o som dos mares
e o misterioso canto das florestas
ainda indevassadas.

Existe um lugar
onde me deito em festa,
adormeço em paz
e desperto em sonhos.

Onde a ternura pode ser vista
nos pingos da chuva que cai,
no orvalho que umedece as folhas
e nas lágrimas que escorrem após um ato de amor.

Existe um lugar
em que a riqueza toda do mundo,
se resume, no fundo,
em ser, sentir e estar;

Em brincar com um raio de sol
ou perder-se vislumbrando o mar.

Existe um lugar,
onde todos os sonhos se encontram e,
feito crianças sem freios,
cirandam ao nosso redor.

Existe um lugar
onde a tristeza tem portas fechadas,
as mágoas jazem enterradas,
as dores são postas para fora
e a desesperança não pode entrar.

Existe um lugar, assim...

Onde um deus menino,
com olhos de fada,
criou para mim:
Teu corpo!



*Paulo R. de A. David

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::: posted by Paulo da Vida Athos at Sábado, Fevereiro 10, 2007


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Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007 :::

IV ENCONTRO REGIONAL DA ANPUH-MT

XII SEMANA DE HISTÓRIA


História de Rondonópolis, "A História Repensada"

De 5 a 9 de março de 2007.
UFMT - Rondonópolis
Rondonópilis - MT


APRESENTAÇÃO DO EVENTO



As atividades do Departamento de História da UFMT/Rondonópolis têm sido pautadas pela busca de espaços nos quais ocorram debates sobre o papel da história perante as problemáticas que afetam a sociedade. Dentro dessa preocupação é que foi organizada a I Semana de História, em 1989, e desde então tem sido momento em que se proporciona aos estudantes e profissionais de História, bem como interessados neste campo de conhecimento, discussões acerca do estudo do passado e compreensão do presente.

Construindo um caminho de superação das angústias que afetam nosso tempo, o Departamento de História foi priorizando temas cada vez mais contundentes quanto a questão do homem e seu tempo presente. Ao longo das onze edições do evento, constituiu-se um elenco de temas que desembocou nos problemas relacionados a uma contemporaneidade que clamava por um repensar das formas que nos aportaram a uma crise de paradigmas ao colocarem em crise os modelos historiográficos que serviam de referencial para pensar os problemas nos quais estamos envolvidos. Portanto, é foi para manter a coerência deste trajeto a escolha de que a XII SEMANA DE HISTÓRIA tivesse como tema "História Repensada", colocando em debate a forte herança deixada pelos paradigmas do século XIX, as rupturas que existiram no século posterior e, também, oferecendo algumas respostas teórico-metodológicas para os problemas que enfrentamos no fazer historiográfico.

Vivemos um momento de perplexidade onde o espaço político encontra-se cada vez mais destituído do poder como exercício do povo em sua forma efetiva. Vemos cada vez mais aumentar o número de habitantes no mundo abaixo da linha da miséria e amplos setores da população passando por situações degradantes de vida, tanto fisicamente quanto moralmente. Vemos setores da classe média, que se achavam seguros em seus condomínios, sofrendo crises de existência levando a casos tristes como solidão e violência passional.

O discurso historiográfico não ficou imune a todo este panorama mundial e brasileiro. A cada contexto contingencial histórico, a ansiedade de busca de conhecimento objetivo foi alimentando a preocupação com uma leitura historiográfica, que valorizasse cada vez mais as singularidades dos acontecimentos e com eles a busca de um homem mais singular, mais próximo de seu mundo cotidiano.

No século XX, testemunhamos a crise gerada pela forma de pensar do século XIX. Já no fim da década de 20, mais precisamente em 1929, historiadores europeus já colocavam em suspeição o discurso meramente econômico ou político. Esses modelos historiográficos foram deixados de lado porque priorizavam grandes paradigmas e viam a história como uma necessidade e uma finalidade. Os Annales foram exemplos desta forma de ruptura e em suas gerações posteriores foram abrindo caminhos para uma história cultural que ampliava as dimensões de leitura do passado.

Até a década de 1950 procurou-se desenvolver um tipo de historiografia que priorizasse o pensar humano independente das causalidades apriorísticas determinadoras do acontecimento. Na década seguinte, já com a experiência testemunhal da crise do pensamento moderno em suas vertentes discursivas, predominantemente de esquerda/direita, começava a surgir a necessidade de se pensar a história do passado mais voltada para o questionamento de suas bases epistemológicas. Passou-se a ver o documento como um monumento e não unicamente como prova da veracidade maior ou menor do fato histórico. Começava-se a entender que o fato histórico era em si fruto de interpretação.

Nos momentos atuais ainda permanece uma nebulosa quanto ao papel da historiografia, seus desafios, os problemas do ensino de história, sua relação com as questões sociais e suas demandas nos tempos atuais. Para que estas questões fossem discutidas mais amplamente, o Departamento de História da UFMT/Rondonópolis, com o apoio do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), propôs à da Associação Nacional de História (Seção Mato Grosso), organizar XII SEMANA DE HISTÓRIA em conjunto com o IV Encontro Regional de História da ANPUH-MT, somando forças em prol da inserção do Mato Grosso nesse importante debate.

A relevância social deste evento está alicerçada no compromisso do historiador perante o desafio dos novos problemas sociais que ora se apresentam. Por outro lado se justifica no seu aspecto acadêmico, haja vista, a necessidade de nossos cursos de história estarem formando profissionais mais diretamente ligados à formação dos múltiplos sentidos vivenciais, de forma a garantir as singularidades subjetivas de cada pessoa, grupo social ou sociedades, respeitando suas contingências culturais, tanto espaciais como temporais.

Para tanto estaremos construindo um espaço de discussões e debates onde será colocado em questão noções como liberdade, progresso e civilização em um tempo onde tanto falta algo que possa aproximar ao que entendemos como vida, em seu aspecto de direitos das pessoas onde a liberdade de escolha individual consiga conviver com as necessidades coletivas. Com isso poderemos, com esse debate, contribuir para que a vida possa se tornar mais condigna a cada habitante deste planeta. Este evento se afirma no desejo de que a modernidade ocidental seja encarada enquanto uma criação histórica problemática que mereça ser analisada para além das imagens (de liberdade, de progresso, de civilização) que ela projetou acerca de si mesma.


Comissão Organizadora:
Prof. Ms. Luciano Carneiro Alves
Prof. Ms. Odemar Leotti
Profª. Ms. Marildes Ferreira do Rego
Prof. Dr. Paulo Mário Isaac
Profª. Ms. Marisa de Oliveira Camargo
Prof. Ms. João Bosco da Silva


Link: http://www.ufmt.br/rondonopolis/ivencontro/index


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Terça-feira, Fevereiro 06, 2007 :::

TRISTEZA PASSA





por Paulo da Vida Athos*



Minha alma sou eu em meu corpo passageiro, como um passageiro de trem.

Vejo paisagens, nem sempre belas. Mas me comovo com todas e com todas aprendo.

Vez ou outra se senta ao meu lado, um companheiro ou companheira qualquer; as vezes a Tristeza, em outras a Alegria e a Esperança, não raro a Revolta e a Indignação.

Claro. A porta desse trem que ando já se abriu para desembarcar a Saúde, mas ela, que é amiga da Vida que tanto me ama, mais por ela que por mim...logo toma outra vez o trem para continuarmos a caminhada.

Certamente o Entusiasmo também divide comigo o olhar curioso para a paisagem, e senta-se ao meu lado por tempos longos.

E nunca me deixam só: a Poesia, o Amor, a Vida e a Liberdade!

Sou imensamente rico e bem acompanhado.

Claro, volta e meia a paisagem fica embaçada pelas gotas que se chocam com o vidro da janela.

Mas pego um pedaço de Esperança e limpo o vidro de novo...

Isso passa..



*Paulo R. de A. David

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Sábado, Janeiro 27, 2007 :::

IMPOSSIBILIDADES



por Paulo da Vida Athos*



Impossível descrever o amor.

Mas se eu tentasse,

diria que nele há um pouco de ti

em tudo.


De tuas digas,

de teus carinhos,

do cheiro de tua pele,

do perfume te teus ais,

desses encantamentos todos

que com graça e liberdade,

pude até agora viver.


Porque o amor é como a liberdade:

impossível de se ver,

intocável em sua essência,

perceptível apenas nos sentidos.


Não tenho como descrever

o amor ou a liberdade.


Posso vivê-los, no nós.

Mas não sei como vivê-los, sem nós.




*Paulo R. de A. David

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Terça-feira, Janeiro 23, 2007 :::

HOMEM COMUM



por Ferreira Gullar


Sou um homem comum
de carne e de memória
de osso e esquecimento.
e a vida sopra dentro de mim
pânica
feito a chama de um maçarico
e pode
subitamente
cessar.

Sou como você
feito de coisas lembradas
e esquecidas
rostos e
mãos, o quarda-sol vermelho ao meio-dia
em Pastos-Bons
defuntas alegrias flores passarinhos
facho de tarde luminosa
nomes que já nem sei
bandejas bandeiras bananeiras
tudo
misturado
essa lenha perfumada
que se acende
e me faz caminhar
Sou um homem comum
brasileiro, maior, casado, reservista,
e não vejo na vida, amigo,
nenhum sentido, senão
lutarmos juntos por um mundo melhor.
Poeta fui de rápido destino.
Mas a poesia é rara e não comove
nem move o pau-de-arara.
Quero, por isso, falar com você,
de homem para homem,
apoiar-me em você
oferecer-lhe o meu braço
que o tempo é pouco
e o latifúndio está aí, matando.

Que o tempo é pouco
e aí estão o Chase Bank,
a IT & T, a Bond and Share,
a Wilson, a Hanna, a Anderson Clayton,
e sabe-se lá quantos outros
braços do polvo a nos sugar a vida
e a bolsa
Homem comum, igual
a você,
cruzo a Avenida sob a pressão do imperialismo.
A sombra do latifúndio
mancha a paisagem
turva as águas do mar
e a infância nos volta
à boca, amarga,
suja de lama e de fome.

Mas somos muitos milhões de homens
comuns
e podemos formar uma muralha
com nossos corpos de sonho e margaridas.


Ferreira Gullar, Brasília, 1963.


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Domingo, Janeiro 21, 2007 :::

RITO DE AMOR


CARTA DE UMA MUSA






por Paulo da Vida Athos*




Minhas palavras possuem

um conteúdo quente de saudade.

E a melodia desmaia no escondimento,

nesse recôndito de minhas fábulas poéticas,

nesse silêncio de Deus,

onde te encontro cálida à minha espera.


E, te recebo emocionado,

revivendo as emoções de estar em ti mil vezes,

por segundo,

e te aproximo de minhas folhas amareladas

em busca de inspiração para sobreviver

ao colóquio inerente da alma.


Fico contigo, me perdendo dentro delas,

sentindo seus braços numa pressão carinhosa,

chegando ao coração num rito estranho de amor...


Minha vida é uma saudade diária,

surdinando no tempo os passos que nunca demos juntos,

na realidade que assiste nosso amor ser propagado ao infinito,

no entendimento com Deus.


Fico contentando-me com o limitado,

quando minhas mãos, parecem ser conduzidas por ti,

marulhando dentro do peito, que bate convulsivamente

nas paredes apertadas em nosso mundo e, na minha espera.


E, fantasio tudo muito depressa!


Farto-me da alegria e, te espero,

mesmo que jamais testemunhe teu chegar...


E quando digo que te amo, é com o apetite infinito

de mensagens revelando e levantando do chão,

uma esperança que não acaba nem sacia...


A tua sombra consegue atar meus pensamentos

numa felicidade perambulante, benevolando

a febre de um beijo que jamais trocamos,

dos hábitos que fariam de nós,

amantes felizes perante o amor...


Meus lábios querem abandonar-se num sorriso,

mas os olhos se perdem na saudade simultânea

dos segundos.


Fica comigo uma vontade enorme

de medir teu coração,

nas circunstâncias da vida

e nas razões dos sonhos.


E limitando tudo,

a impossibilidade.


Fica comigo o silêncio obscuro.


Piedoso de minha loucura,

tentando discutir a minha angústia,

o meio-nada, o meu telhado de vida

que ameaça desabar em tua ausência eterna.


E meu cabelo revolto ao vento

que canta alto este amor ardente e,

sonhado.


E fico seguindo caótico as horas de tua chegança.


Cego.

Coração exausto da espera

de toda uma vida.


E quando chegas,

novamente vejo auroras e crepúsculos,

quando sinto teus olhos me limitando a ser

mais uma vez, extasiado.


Quero derramar lamentos culpando-te

pela ânsia...


Louco, afoito, venerar teu rosto

acreditando que vieste dos céus

e que tens nas mãos a chave de todos os meus anseios,

capaz de diminuir distâncias

e transpor galáxias...


E quando me abraças...

mergulho em ti, para a loucura.


E se te coloco inteira,

em minha vida.


Me coloco inteiro,

em tuas mãos...




*(Paulo R. de A. David)

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Sexta-feira, Janeiro 19, 2007 :::

NOTURNO





por Paulo da Vida Athos



Gosto da noite que se aproxima,
de seu silêncio adivinhado,
de seus mistérios e fantasias
e do perfume suave que a brisa
forasteira e fugidia,
rouba da flor ou da mulher que passa.

Gosto do que na noite existe.
Das estrelas,
das luzes das favelas,
dos casais ocultos nas sombras mais pesadas,
dos murmúrios ininteligíveis
e até do bêbedo mal educado,
desbocado,
que as vezes vejo passar.

Gosto de nuvens esbranquiçadas de luar,
de mar anoitecido marulhando nas pedras,
dos ruídos indecifráveis das folhas secas,
soltas ao vento,
empurradas pelas calçadas, pelas ruas,
cancionando solidão sem só
e sem tristeza.

Gosto da noite envolvida em lua,
quando acendo um cigarro,
trago
e expulso a fumaça que se tinge em névoa branca,
antes de se volatizar no espaço.

Gosto das noites calmas,
tinturadas de estrelas,
perfumadas,
sensitivas,
transmissivas,
transitivas...
com o amor transitando em nós!


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ORAÇÃO DE UM PESCADOR





por Paulo da Vida Athos (Paulo R. de A. David)



Que não se desliguem de mim, os sonhos.

Nem a liberdade.


Que não se desfaça em mim a vontade,

De seguir em frente, de findar viagem,

Que mais que finda é início,

De novo sonho,

De infindas vias, de estradas mil.

Onde a realidade se mistura com a miragem...


Que não me deixem órfãos, os ideais

De liberdade.


Que não se esmaeça em mim a saudade,

De abraçar o ontem, de me fazer aragem,

Que mais que brisa é vento,

De novo barco,

De novas velas, de mares meus

De mergulhos mil, de descobertas infindas,

Onde as águas se misturem com a viagem.


Que não se despeça de mim, o mar,

Nem o amar,

Nem o amor à liberdade.


Pois se isso acontecer,

Não mais serei o mar,

A brisa.,

O sonho,

Ou a Liberdade...


Serei espuma do nada.

E em nada me tornarei...


*Oração feita em homenagem e para proteção de um pescador, navegante, guerreiro, sobrevivente, desses que navegam em qualquer mar, e meu grande amigo P.P.V. E em proteção aos que vivem nos e dos mares...



Foto da embarcação AG PRINCE da Petheus Mar


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Quarta-feira, Janeiro 17, 2007 :::

CARTAS DO INFERNO I





Mamãe Alba.



Quando a noite chegou trazia um vento frio e cortante. Por volta das dezenove horas já a noite se fechava, apresentando um céu despido de estrelas. No ar, uma umidade sentida em cada plano tocável embalsamava o material e imaterial de cada homem e de cada sentimento.

Noite enunciável...

Existem sensações premonitórias e inexplicáveis, que têm a qualidade de preparar o ser humano para fatos e circunstâncias inesperados e, normalmente, insuportáveis.

Houve premonição coletiva, que outra forma definirei?, a partir das dezenove horas até às vinte e uma horas, quando a tensão chegou ao auge e se corporificou, bizarra e inumanamente, numa explosão de ódios, medos e fúria, numa canção de sangue.

Agora os ponteiros do relógio que carrego acusam que quarenta e oito minutos se escoaram, desde as vinte e uma horas, e, no silêncio anormal que envolve o prédio (um mundo à parte do mundo), procuro pensar que o amor existe, e existe a paz, a felicidade, a ternura e a compreensão.

(Seria tão fácil para o homem viver em um mundo de amor. As horas registrariam na mente momentos de felicidade, a felicidade geraria sorrisos, os sorrisos constituiriam a compreensão que engrandeceria o diálogo da Vida que existe em nós).

Estou um pouco cinzento devido a certos acontecimentos que se desenvolveram, envolvendo homens que aqui se encontram. Por mais que o tempo tenha passado, por mais que meus olhos tenham testemunhado fatos semelhantes, para mim será sempre uma novidade que encerrará uma dor e uma decepção.

Meu conforto é saber que existem pessoas assim como a senhora, o papai W..., maninha M... e L... - além dos outros que conheci lá em casa, e outros que sei existirem.

Amanhã espero que o céu amanheça muito azul; que meus pombos não deixem de revoar em bando; que as flores floresçam com maior intensidade de cor e perfume; que os acordos de paz superem as guerras; que o sol elimine as sombras; que a criança abandonada encontre um novo lar; que os hospitais fiquem mais vazios; que a delinqüência feneça; que o amor entre os homens se propague sem distinção de raça, credo ou partido... e que, sobretudo, a existência dos C.... F... não seja apenas um sonho meu.

Mamãe Alba, aproveito e envio esta poesia de Giuseppe Ghiaroni, "Dia das Mães", que ofereço à senhora, com meu muito, mas muito carinho mesmo.

Envio um beijão para a maninha M..., um abração para o papai W... e um secreto beijo no vovô.

Beije os olhos de L... por mim.

Para a senhora, um beijo com carinho.

Do filho mais velho,

Eu.

Rio de Janeiro, 8 de novembro de 1977.


Foto: Almada Negreiros, maternidade, 1935


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::: posted by Paulo da Vida Athos at Quarta-feira, Janeiro 17, 2007


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OUÇA-ME...





por Paulo da Vida Athos



Tem gente que vive saindo na porrada com o presente, com a alma prenha de insatisfação e uma esperança cabeçuda de ser feliz no ontem.

Coisa de bicho homem que prefere dar uma de cachorro abandonado, olhar perdido no passado, enquanto o tempo sacana como ele só vai desfilando na Sapucaí.

¿- Foi um rio que passou e minha vida...¿

Aí, mané, não tem jeito mesmo. O rio passa e sua alma canina tem mais é que ficar uivando, na bronca, pelo tempo que você deixou passar, babacamente, numa esquina qualquer da vida, pensando em mil coisas que deixou de fazer, em mil digas que deixou de dizer, em algumas bocas que deixou de beijar, só por que a porra do amor que vive em você é tão besta quanto quem o abriga e te sacaneou legal, te deixando plantado, sedado, enquanto o tempo passava sem parar sua evolução como minha Portela querida.

Tem mais que cair no samba, tem mais que cair na vida!

Ou está pensando que regando lembranças com lágrimas colherá realidade? Tá. Me engana que eu gosto.

Vai ser feliz no ontem? Vai nada!

Muito menos no amanhã poderá viver felicidade alguma.

O ontem passou, é sonho ou pesadelo, o amanhã é visão e talvez você nem chegue lá.

Se tem um momento em que poderá viver qualquer coisa que não seja essa lamentação idiota, é o presente, o hoje, o agora, o já!

E, já!

Não tem essa de amanhã. Isso é papo de cigana ou pai-de-santo marmoteiro.

A mim não engana. Não vou na onda.

Mas se não consegue cair no samba, aproveita a solidão, faça uma poesia ou procure uma pessoa cheirosa, afinal você está sozinho e tem mais que preencher vazios.

Mas não o faça com lembranças, qualquer que seja, muito menos com dor.

Nunca escreva poemas de dor!

Pratique o amor, ame. Se entregue sem medo.

Afinal, você não é eterno e não tem nada a perder.

Curta cada minuto como se fosse o último. Beije. Beije muito, beijar faz bem à saúde.

Curta manhãs de sol, areia no corpo, mergulhe e ouça o murmúrio do mar.

Não durma nas noites de lua cheia e não perca o perfume que o jasmim esparrama nas madrugadas.

Ame as tardes, mesmo aquelas que não são brilhantes como as tardes de abril.

Tente ouvir o canto de um rouxinol, deixe seu olhar bailar com o vôo imprevisível de um beija-flor.

Olhe crianças brincando, você não sabe o quanto isso me deixa feliz!

Fique em uma tarde de outono próximo a uma escola, na hora do recreio, e ouça a canção da vida tomar o céu de sua tarde. A vida é sempre juvenil...

Faça isso, quando nada, por mim.

Você pode até dispensar. Mas eu não abro mão de ser feliz.

Com carinho...

seu coração.


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::: posted by Paulo da Vida Athos at Quarta-feira, Janeiro 17, 2007


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Terça-feira, Janeiro 02, 2007 :::

MENOS RAZÃO EM 2007...





por Paulo da Vida Athos.



Deixo 2006 sem saudade, sem olhar para traz. Tendo diante de mim e meus sonhos o ano chegante e o futuro, lanço a ambos um olhar de esperança e de súplica.

Claro que o número de nascimentos superou o número de óbitos não só no Brasil. No mundo inteiro o mesmo aconteceu, a despeito da violência e das guerras. É a natureza em autopreservação, é a raça humana no colo da Vida.

Curioso imaginar que a única forma de vida capaz de aplicar a razão seja justamente aquela que desestabiliza a Terra colocando em risco sua existência, a do planeta e da vida nele agregada.

É realmente estranho constatar que o homem é a única forma de vida animal capaz de matar sem ser por fome ou para se defender. Mata por ambição, por ódio, por amor, por indiferença. Mata até por matar. É intrigante essa capacidade mórbida de desamor pela vida, seja a sua ou a do outro. É frustrante buscar resposta para o porquê de o homem ter tamanho desdém pela humanidade e pelo planeta se sem ambos a ópera da vida não pode ser montada.

A grande política do homem parece ser a da destruição.

Usa mal sua razão e não usa sua humanidade.

Nesse exato momento mais de seiscentas guerras estão instaladas no mundo. Mas a inconsciência coletiva está tão doentia que talvez esse número surpreenda muitos. E é justamente nesse terreno em que se dissemina a mais intolerável das condutas humana: a indiferença.

Nada aprendemos com o genocídio de Ruanda, em 1994, dos massacres da cidade Bósnia e de Srebrenica em 1995, e do uso de civis como alvos no Sudão. Nada nos ensinaram os genocídios ao longo da história humana. Até aqui, desde a Segunda Guerra Mundial, genocídios acorreram no Afeganistão, El Salvador, Uganda, Irã, Iraque (aqui também incluídos os curdos) Palestina, e mundo à fora, diante de uma humanidade anestesiada moralmente. Nesse momento a Somália está sob fogo.

No lodaçal de sangue no oriente médio o sonho americano mostra a face mais cruel dessa insensatez, com seus títeres assombrando as crianças que correm sobre os escombros e cadáveres de suas casas e de seus amigos e familiares. Mesmo palco onde em 2006 o Líbano teve suas ruas e calçadas lavadas pelo sangue de seus inocentes, crianças e velhos, homens e mulheres, já que bombas e balas não têm preferência pela presa que abate. Na chamada terra prometida reside o espanto de Deus: é muito pouca terra para tanto ódio e sangue.

No Brasil a criminalidade violenta e desorganizada semeia a morte e o pânico na população diante de uma polícia também desorganizada por falta de políticas públicas de segurança, graças a nossa incapacidade crônica de cobrar dos governantes políticas sociais. Somos um povo que não cobra. Poucos foram às ruas em 64 e nas duas décadas que se seguiram. Não mudamos. Poucos vão ás ruas, hoje, para cobrar um pouco de vergonha na cara de nossos representantes e governantes, seja por suas omissões, seja por suas ações inescrupulosas. Não mudamos. Nunca tivemos nossa ¿Primavera de Praga¿, e já passou da hora faz tempo... Torço para que nossa indiferença moral e crônica seja sacudida em 2007.

Todas essas coisas me marcaram em 2006. Essas e muitas outras.

Mas o mais marcante para mim aconteceu em 30 de dezembro. A execução-assassinato de Saddam Hussein, o ditador genocida do Iraque. Não sou a favor dele nem gosto de ditadores, muito menos genocida como ele.

No entanto minha alma inaceita a morte anunciada, principalmente se pode ser evitada, de qualquer ser humano, de qualquer vida animal, por mais animal que tenha sido o ser humano ou por mais humano que tenha sido o animal. Não comungo com ditadores por serem assassinos vez que não comungo com assassinatos.

Concebo até que a vingança pessoal possa levar o homem a matar. Conheço a força das emoções humanas não as desprezo. Mas matar por hora certa? Matar quando se pode manter preso por todo o resto da vida, o que já é uma morte, mas não faz do julgador um homicida nem do carcereiro um carrasco, é apenas mais um assassinato.

Para mim 206 teve nesse ato seu ato mais grave e final. Um homem de mãos atadas, que dispensou o capuz dos condenados, que, encarando a morte de frente e amaldiçoando seus assassinos, foi enforcado quase que ao vivo em razão da força na internete.

Isso não é racional, embora humano. Faz parte do eu-humano sem caridade.

Esse é desejo em 2007: menos razão... e mais humanidade.

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::: posted by Paulo da Vida Athos at Terça-feira, Janeiro 02, 2007


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Quarta-feira, Dezembro 20, 2006 :::

REPÓRTER DA TV GLOBO DENUNCIA PARCIALIDADE NA COBERTURA DAS ELEIÇÕES DE 2006




Rodrigo Vianna, após questionar a cobertura da emissora das eleições, foi afastado do noticiário político. Nesta terça-feira (19), foi informado de que a Globo, após 12 anos, pretendia não renovar seu contrato. Em carta enviada aos colegas, obtida pela Carta Maior, ele acusa a parcialidade da empresa.




Bia Barbosa e Gilberto Maringoni - Carta Maior


SÃO PAULO - O repórter especial da Rede Globo de Televisão em São Paulo, Rodrigo Vianna, foi informado nesta terça-feira (19) que a empresa não pretende renovar seu contrato de trabalho, que expira em 31 de janeiro próximo. Profissional experiente, Vianna trabalha na rede desde 1995 e produziu mais de duas dezenas de matérias para o Globo Repórter, além de cobrir seis processos eleitorais. Vianna também mediou debates eleitorais para a prefeitura de Belém (2004) e para o governo do Mato Grosso (2006).

Segundo colegas, Vianna já estava decidido a também não renovar seu contrato em função do que ocorreu desde o início do processo eleitoral. Ao lado de outros jornalistas da emissora, ele foi um dos que questionou a parcialidade da cobertura realizada pela Globo. Nos últimos meses, foi afastado da cobertura política e destacado para atuar nos jornais locais. Procurado pela reportagem da Carta Maior, Vianna informou que não pode se manifestar por exigências do seu contrato, ainda em vigor. A reportagem também tentou falar com o chefe de jornalismo em São Paulo, Luiz Cláudio Latgé, que não retornou as ligações ou respondeu ao e-mail enviado até o fechamento da matéria.

Imediatamente após a conversa com a chefia no início da tarde desta terça, Rodrigo Vianna teve seu correio eletrônico interno e seu crachá bloqueados. Antes, no entanto, conseguiu enviar aos colegas uma mensagem em que explica as razões de seu afastamento e externa sua insatisfação com a cobertura da última disputa presidencial.

"O que fizemos na véspera da eleição foi incrível", diz ele, ao comentar o desequilíbrio da cobertura. "Ninguém na redação queria poupar os petistas (...) O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas [Negri, ex-ministro da Saúde]!"

Vianna destaca ainda "aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da Carta Capital". Segundo ele, "foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!"

Leia abaixo a íntegra da mensagem, obtida com exclusividade pela Carta Maior.




"LEALDADE



Rodrigo Vianna


Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar - ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.

Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: "você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros". Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.

Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: "olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás".

Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.

Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.

Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!

Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".

Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.

Na reta final do primeiro turno, os "aloprados do PT" aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.

Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "por que não vamos repercutir a matéria da "Istoé", mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira? "

Por que isso, por que aquilo... Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?

Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de "petistas" e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do "governo anterior", acharam que ninguém ia achar estranho?

Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!

Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.

Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.

Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada...).

O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!

Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!

Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?

E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.

E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores...

E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.

Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!

Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?
Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?

O JN levou um furo, foi isso?

Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele... Mas, a Globo não pôs no ar... O portal "G-1" botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a "CartaCapital" ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.

Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?

Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.

E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!

Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista "Quatro Rodas" dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!

Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição...

De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de "pretos e pardos". Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha...

A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como "concubinas" ou "amásias". Nunca usamos esses termos!

Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de "turcos" pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?

Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de "Parada dos Pederastas". Francamente, não tenho mais estômago.

Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?

Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.

Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.

Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.

Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:

"(...)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança".

Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas... Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil.

E vejam o vocabulário: "lealdade e confiança". Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da "lealdade".

Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.

Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi "leal" com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!

João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:

"Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando".

Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!

Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira". Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.

Boa parte dos seus "colaboradores" (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - "colaboradores", essa é boa... Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.

Mas, isso tudo tem pouca importância.

Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?

Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?

Depois, não sabem porque os protestantes crescem...

Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!

Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.

Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.

Foram quase doze anos de Globo.

Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.

Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação.

Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces...

Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo.

Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria.

Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia "vallet park", nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.

Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.

Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.

Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas...

1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem "lealdade"; parecem "poderosos chefões" falando com seus seguidores... Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.

2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.

Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.

Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.

Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários!

Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais.

Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).


Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.

Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.

Um beijo a todos.

Rodrigo Vianna."


Fonte: Carta Maior

::: posted by Paulo da Vida Athos at Quarta-feira, Dezembro 20, 2006


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Domingo, Dezembro 17, 2006 :::

IBOPE DE LULA É O MAIOR DA HISTÓRIA



Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 38



O Ibope vai divulgar na segunda-feira, dia 18, que o Presidente Lula termina este ano com o maior índice de aprovação de um Presidente da República da história do Brasil em fim de mandato.

O índice de Lula é maior do que o de Juscelino Kubitschek.

É o apagão da imprensa e dos tucanos.

3% dos brasileiros viajam de avião.

Fonte

::: posted by Paulo da Vida Athos at Domingo, Dezembro 17, 2006


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RESPOSTA DO POVO À MÍDIA




LULA É O MELHOR PRESIDENTE QUE O BRASIL JÁ TEVE, INDICA DATAFOLHA




O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi apontado como o melhor presidente brasileiro da história, às vésperas da transição para o segundo mandato.

O dado foi divulgado pelo jornal "Folha de S. Paulo". Segundo pesquisa realizada pelo Datafolha, 35% dos entrevistados acreditam que Lula é o melhor presidente que o País já teve.

Em segundo lugar, com menos da metade dos votos, aparece Fernando Henrique Cardoso (PSDB) com 12%. Os próximos mais bem avaliados são Juscelino Kubitschek (11%), Getúlio Vargas (8%) e José Sarney (5%).

Lula encerra o primeiro mandato com 52% dos brasileiros considerando seu governo ótimo/bom. Este é o maior patamar entre quatro presidentes avaliados pelo Datafolha desde a redemocratização.


Expectativa

A maioria dos brasileiros tem uma expectativa positiva sobre Lula: 59% esperam que o segundo mandato seja ótimo/ bom. A esperança caiu, porém. Antes da posse, em 2003, 76% achavam que o governo seria ótimo/ bom, um recorde registrado pela pesquisa.
No caso de FHC, 41% esperavam um segundo mandato ótimo/bom, no final de 1998.
A pesquisa foi realizada em 13 de dezembro deste ano entre 2.178 municípios brasileiros em 111 municípios de 23 Estados e do Distrito Federal. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.


Situação Econômica

A maioria dos brasileiros acredita que a situação econômica vai melhorar no governo Lula. De acordo com a pesquisa Datafolha, a expectativa positiva atinge 55% dos entrevistados. Antes do primeiro mandato, 54% acreditavam que a economia melhoraria.

Fonte



::: posted by Paulo da Vida Athos at Domingo, Dezembro 17, 2006




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